A capa do meu livro


A capa de um livro precisa ter relação com a história contada? Sim, sem dúvida isso é necessário. Mas essa relação talvez seja menos importante do que o poder atrativo que uma capa tem de ter para servir como ferramenta publicitária; ser capaz de alavancar as vendas de um livro pelo magnetismo que produz. Na verdade, uma boa capa tem de ter as duas coisas (as capas que seguem poderão dar uma ideia do que digo. Faça suas próprias considerações).


Livro de crônicas da cidade de São Paulo



Caso algum autor me dissesse que seu livro não se destina à venda, e a este universo vil dos interesses mercantilistas, portanto ele não se preocupa com isso; eu diria, sem medo de errar, que ele está mentindo ou se iludindo. Se este autor pretende gerar interesse em certo público, nem que se trate de um público específico, seletíssimo, fechado (que receberá a obra como presente, por exemplo), terá de atraí-lo a, pelo menos, abrir e folhear o livro. Salvo exceções, quem produz esse impulso inicial, a vontade no leitor de criar essa proximidade, é a capa. Grosso modo, todo livro está sujeito à mesma sina: a necessidade de atrair pela capa. Isso vale, especialmente, para as obras dos ilustres desconhecidos. Meu caso.

Uma boa capa pode ser a alavancagem inicial necessária que um bom livro precisa. Assim como uma capa ruim pode ser o prego do caixão de uma obra, mesmo uma obra boa.


Romance sobre a sociedade urbana e suas entranhas


Ninguém que conheça minimamente as pessoas poderá negar que é particularmente poderosa a aparência externa do que quer que seja. Pense no que quiser: pessoas, animais, carros, casas, livros. Seja o que for, se contar com uma aparência atraente, terá suas chances iniciais multiplicadas.

Uma capa é um rosto. A capa está para o livro como o rosto está para o Homem. Pessoalmente, não acredito no adágio popular. A primeira impressão não é a que fica. Acredito que o que fica, o que marca definitivamente, o que se sobrepõe a tudo é a personalidade de um ente, seja ele um livro ou um ser humano. Portanto, é obvio que não adiantará a um livro ruim ter boa capa, mas um livro bom com capa ruim pode ser tremendamente prejudicado, ou já nascer morto.


Romance que aborda, com humor, problemas sociais do país.



Isto posto, fica a pergunta: Como conceber a capa de um livro para que ela capte a atenção, antes de o leitor saber quem é o autor e qual o gênero do livro, levando-o a se aproximar da obra, agarrá-la, folheá-la e, quem sabe, percorrê-la demoradamente?

Difícil dizer...

Contudo, sabendo de tudo isso, deste poder de atração de uma capa, que pode fazer a diferença entre o sopro de vida e o fracasso instantâneo, venho há meses me digladiando mentalmente para ter uma ideia, um insight que me leve à capa ideal para O Homem Suprimido, meu primeiro livro.

No caso deste meu livro a coisa era ainda mais difícil, já que ele não traz uma única história, mas dezesseis. São contos com enredos, personagens e situações muito distintos. Como produzir uma capa que tenha relação com todas as histórias, e que ainda seja atraente?


Romance policial que envolve um consultor de
restaurantes e uma professora de culinária


Desde o início havia um caminho de sinergia, que custei a reparar que estava ali. Todos os contos do livro têm duas coisas em comum: a morte e o ambiente urbano. Eu precisava, portanto, de uma capa que inspirasse a solidão do homem urbano; esse homem alijado, esquecido, suprimido pela cidade que o sufoca, oprime e o abandona à própria sorte. Mais até do que a cidade em si, o abandono e o descaso que este homem experimenta, provém do outro, do próximo. Somos todos nós. As pessoas que não se atém às outras, apenas a elas próprias. Comecei a conceber, com a ajuda de dois amigos artistas (o Alexandre Mantovan e o Paulo Joel), a imagem de uma cidade escurecida, fria e distante, que seria a representação visual da mistura entre a metrópole que esmaga o homem, e ele próprio, este homem individualista que é vítima e algoz de si mesmo. Montar a ideia mentalmente é uma coisa, mas conseguir uma imagem, uma foto, um desenho que resuma isso, são outros quinhentos. Uma saga!, que contarei em outra postagem.

Aí, para vocês, a capa final de O Homem Suprimido. Espero que apreciem. E que os atraia!






Cesar Cruz
Maio de 2010
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16 comentários:

Anônimo disse...

Gostei da capa Cruz.
Porém advirto-lhe que em minha imaginação, enquanto lia seu relato de angústia e dúvida, me vinha sempre a imagem de uma sombra sombria, mas de um homem sobre a cidade, e não da cidade em si.
Nem sei se gosto mais da minha idéia ou da sua...Talvez prefira a sua.
Boa Sorte.

Baxo

Anônimo disse...

Oi, César.

Para ser sincera com você, jamais observei a figura da capa ao adquirir um livro.
O que mais me atrai é sempre o título e a descrição do conteúdo na contra capa.
Seu livro, com capa ou sem (rsrsrsrs), será um grande sucesso.
Beijo, Tânia S.S.

Silvia Leito disse...

AH, DISCORDO! PARA MIM A CAPA E A SINOPSE QUE VEM NA ORELHA DO LIVRO OU NA CONTRA-CAPA FAZEM TODA A DIFERENÇA PARA EU QUERER COMPRAR O LIVRO!

A CAPA ME FAZ QUERER PEGÁ-LO NA MÃO E VIRAR AS PÁGINAS. SE A CAPA NÃO ME ATRAI, MUITAS VEZES NEM PEGO.

SILVIA LEITO
CAMBUCI

Tais Luso disse...

Oi, Cesar! Que legal, amigo. Gostei da capa, é muito bonita, chamativa... Acho que além da capa, o título da obra também é de igual importância. Desejo muito sucesso com este teu primeiro filho. A editora é Martins Fontes, então? Apõe 26 de junho entrarei no site da editora.

Muito sucesso, você merece!
Bjs
Tais Luso

Anônimo disse...

César,
primeiramente venho te parabenizar.
Na capa, a decomposição da luz... e a sua ausência... sujere que algo está escondido lá dentro desse livro.
Concluindo: sujere a leitura.
Alessandro Franco
Goiânia - Goiás

Paulo Joel disse...

FICOU BOA !! DU CARALHO ! OS PREDIOS PARECEM PINTURAS, MEIO CHAMUSCADOS...
E A PARTE DE TRÁS, É CONTINUAÇÃO ?

ABÇ
PJ

Danilo Moretti disse...

Bela capa!! Da sim vontade de comprar, pelo menos de folhear pra ver se dentro tem alguma pista que mate o enigma.

Eu tb pensei o que o Baxo pensou: que fosse rolar a imagem de um homem, talvez um cara morto, sofrendo, sei lá.....

Mas agora vendo essa imagem de uma cidade escura e assustadora, me convenci de que mostrar o lugar onde vive o homem suprimido, é melhor do que tentar mostrar o homem suprimido em pessoa!

A propósito: o que é afinal um homem suprimido????

abraço!
Danilo (seu leitor do jornal)

Anônimo disse...

A tua capa está realmente chocante! Resume bem este trecho:

"...a solidão do homem urbano; esse homem alijado, esquecido, suprimido pela cidade que o sufoca, oprime e o abandona à própria sorte. Mais até do que a cidade em si, o abandono e o descaso que este homem experimenta, provém do outro, do próximo. Somos todos nós. As pessoas que não se atém às outras, apenas a elas próprias."

Parabéns! Quero comprar!

Abço
Emerson L. Goes

Anônimo disse...

é Cesar, esse negócio de capa é um tanto quanto complicado mesmo. Mesmo porque o que estabeleceu nossa sintonia, como bem sabemos, foi o conteúdo, mas ficou legal, criou um contexto paradoxal entre o negrume da cidade e o azul da esperança mais acima. Quanto a questão do que fica, só não passa aquilo que se estabeleceu e de alguma forma fez tremer intimamente quem por aquilo foi alvo, então amigo, não se preocupe, para muitos Voce não ficará porque nem chegou, para nós, será eterno.

CESAR CRUZ disse...

Quem escreveu este último comentário? Reescreva e assine, amigo! Agora fiquei curioso!

abç
Cesar

Anônimo disse...

é Cesar, esse negócio de capa é um tanto quanto complicado mesmo. Mesmo porque o que estabeleceu nossa sintonia, como bem sabemos, foi o conteúdo, mas ficou legal, criou um contexto paradoxal entre o negrume da cidade e o azul da esperança mais acima. Quanto a questão do que fica, só não passa aquilo que se estabeleceu e de alguma forma fez tremer intimamente quem por aquilo foi alvo, então amigo, não se preocupe, para muitos Voce não ficará porque nem chegou, para nós, será eterno.

eita laia, foi mal, pensei que era e-mail...rs. desculpem-me

mario / xara - ipiranga

Pedro Luso disse...

Amigo Cesar,

Gostei muito deste seu artigo sobre a importância da capa do livro, e, principalmente, do trecho que se refere ao seu primeiro livro (de contos), O "Homem Suprimido", cuja capa está excelente, onde se pode ver claramente a mão do artista plástico. Nota 10 para a capa.

E, mais: concordo inteiramente com tudo o que você disse sobre a importancia da capa para a divulgação do livro, que vale tanto para aquele leitor insaciável como para o leitor que se inicia na leitura.

E, mais ainda: a importancia da capa do livro tem a abrangencia do trabalho artístico e do seu título, que, conjugados, seduzem o leitor, como o exemplo que mencionei num texto que publiquei sobre o livro “Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá”, de Lima Barreto, que foi editado por ninguém menos que que o célebre Monteiro Lobato; este, em carta a Barreto, disse: "“Teu livro sai pouco, sabe por que? O título! O título não é psicologicamente comercial. O bom título é metade do negócio. Ao ler o título de teu romance toda gente supõe que é a biografia de... ilustre desconhecido”. (Carta de 23/111919 – 'Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto', em 'Os cadernos de Cultura', organizado por Edgar Cavalheiro.)

Embora Monteiro Lobato tivesse dito nessa carta a Lima Barreto que o título "é a metade do negócio" , fico com apenas 25% do título para atribuir os outros 25% ao trabalho gráfico da capa, independentemente do título.

Portanto, fico com o Monteiro Lobato (25% do livro está no título) e com o Cesar Cruz (25% está na capa – Cesar, você não disse que nela (capa) está 50% do sucesso do livro, mas deu a entender isso -; por isso tiro também (do Cesar) a metade desse percentual). De qualquer forma, como o título do livro do Cesar, “O Homem Suprimido” é muito bom, somando-se este com a capa fechamos com os 50% do Monteiro Lobato (que deve ter esquecido do trabalho gráfico na edição do livro do Lima, já que apenas fez menção ao título).

Parabéns pelo livro amigo Cesar, e meus votos de sucesso nessa importante empreitada,

Um grande abraço,
Pedro.

Martha Castelló disse...

Cesar,

A capa ficou show. Acho que vai atrair o leitor, sua preocupação com a capa está correta. Uma capa ruim pode afundar um bom livro.

Beijos e parabéns, dia 26 estaremos lá para participar da sua felicidade.

Martha

DEVA disse...

Concordo com você quando diz que a capa é o “rosto” do livro. É ela que chama; juntamente com o título, que nos faz tentar adivinhar a história.

Ao ver sua capa, imagino os “homens suprimidos”, escondidos nos andares desses prédios. Não podia ser mais sugestivo. Parabéns!
Tem tudo para ser um sucesso. A julgar pela capa e pelo autor.

Ah... adoraria que você me enviasse um exemplar, porque aí eu posso pedir um autógrafo.. hehe

Se não for te atrapalhar, é claro. Aí depois combinamos a forma d pagamento e o envio e eu passo meus dados

Bjos César
e novamente, Parabéns

Deva

Dalinha Catunda disse...

Olá Cesar,
Eu acho que a capa de uma livro é como a apresentação de uma refeição,como uma mulher, primeiro se come com os olhos, daí nasce o desejo de saborear o todo.
E sua capa está bem apetitosa.
Avante!!! amigo
Um abraço,
Dalinha Catunda

katine walmrath disse...

parabéns.
pelo livro.
pela capa.
e por este causo específico.
um abraço.