Rogerinho


.
Crônica publicada no Jornal do Cambuci & Aclimação - Jun 2011.

---------------------------------------------------



Na academia, sou o único que em vez de um IPod leva um livro para se distrair nos intervalos entre as séries da musculação. Outro dia, o Rogerinho, um garoto de uns 20 anos, se aproximou e me disse:
.
- Pô, Cesar, você lê a beça, hein? Queria curtir ler, mas acho um saco.
.
Expliquei a ele que leitura é como exercício, demora pra gente pegar gosto, mas é importante. Disse que tem que se começar lendo coisas leves, divertidas e que gostemos de fato, e logo estaremos lendo regularmente. Ele ouviu calado a experiência do veterano e, sem comentar nada, se afastou.
.
Nesta semana cheguei à academia e qual não foi minha surpresa ao ver o Rogerinho sentado no banco do supino lendo um baita livrão, capa dura! Me acheguei a ele e já fui dizendo:
.
- Aí, hein, Rogerinho! Lendo um baita livrão desses!
.
- Qué isso, Cesar, disfarça! Não tou lendo não... Só fazendo presença pras minas ver que além de músculo também tenho cabeça.
.
.
Cesar Cruz
Agosto 2009
.
.
.

2 comentários:

martha disse...

oi cesar,

li os causinhos e gostei. achei a idéia excelente. causinhos divertidos, causinhos cotidianos, causinhos místicos. você mudou a apresentação do blog faz tempo? engraçado não reparei da última vez. gostei da mudança. beijão.

DEVA disse...

Já tinha lido esse seu causinho.
Reli e morri de rir de novo

“Qué isso, Cesar, disfarça! Não tou lendo não... Só fazendo presença pras minas ver que além de músculo também tenho cabeça.”

Será que dá certo?!
Péssima forma de puxar papo, pois ele tem que rezar p moça não ter lido o livro. Senão danou-se.

Seus causos engraçados são hilários. O quilo, a entrevista Pá-pum, cadê o meu xampu...
E por aí vai...

Aliás, defendo totalmente o seu direito a um xampu!
Vivo trocando os meus, nunca me acerto com meu cabelo. Ele tem vontade própria! Disso você não deve sofrer, mas se por algum acaso precisar para manter a aparência, aconselho um creminho anti-frizz

Bjos César

Deva