A Mocinha

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Comprei o tíquete e pedi à mocinha, atrás do balcão, que embrulhasse meus trinta pãezinhos de queijo. Fiquei ali olhando e tive dó dela. Havia um monte de clientes fazendo seus pedidos ao mesmo tempo, debruçados no balcão, num vozerio e numa confusão danada... e ela se desdobrando, sozinha, para atender a todos.
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Sentada no caixa, folheando uma revista, estava a dona do estabelecimento, que não se moveu do lugar para ajudar.
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Quando chegou minha vez, só restavam dez pãezinhos. Não me incomodei. Apenas fui ao caixa pedir a diferença do que não pude levar.
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- Mas o senhor não pagou por trinta?
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- Sim, mas é que acabaram e...
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- Ah, mas a Valderice tem é que prestar mais atenção, o senhor chegou antes! – disse em alto e bom som, olhando feio pra mocinha. Não me aguentei e saí em sua defesa:
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- Ah, não tem não, dona! Saiba a senhora que a Valderice, ali, está é fazendo milagre! E a senhora nem pra ajudar!
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Contra a verdade não há argumentos. A mulher se calou e amarrou a cara. Peguei a diferença e fui-me embora, sabendo que, mesmo com boa intenção, prejudiquei a pobre mocinha.
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Cesar Cruz
Agosto 2009
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