Território conquistado



Jogou uma água no rosto e sentiu um enorme bem-estar. Fazia um calorão no apartamento, todo fechado. Mas era melhor não abrir janelas ou cortinas, para não dar bandeira. O velho era uma espécie de ermitão, pelo que ele soube, vivia sempre assim, tudo fechado.

Apesar dos dezessete anos, ele se considerava vivido e com experiência em casa de bacana, entretanto não se lembrava de já ter entrado num apartamento como aquele. Não era propriamente o luxo, já tinha visto coisa até mais chique, mas esse era um luxo de gente rica antiga, que nem em filme de rei; e ele refletia sobre isso enquanto andava pela sala sentindo o específico cheiro de um tempo que ele não viveu, observando os móveis intimidadores e os lustres que pareciam querer pingar gotas de vidro na sua cabeça.

Duvidou que alguém já tivesse, algum dia, tocado um puteiro ali, feito uma zona, uma balada qualquer naquele apartamento; ou metido um som a toda, detonando, bombando. Enquanto duvidava, seus olhos se fixavam nos grandes quadros dependurados pelas paredes das salas. No maior deles, quase uma parede toda, homens montados em sólidos cavalos vestiam paletós vermelhos e calças brancas, botas e chapéus negros, empunhavam espingardas, os cachorros avançando à frente, os latidos e o farfalhar do mato, a caça atingida, a captura. Nunca vira coisa tão bonita. Na casa dele, de um só cômodo, onde mãe e quatro irmãos se empoleiravam, um quadro daqueles não passaria nem na porta.

Deu uma volta procurando compreender para onde os dois corredores escuros, que partiam um de cada extremo da sala, levariam. Portas, quartos, salas, salinhas, banheiros pequenos, banheiros grandes... Um labirinto. Não sabia nem por onde começar a procurar as joias, muito menos como lidar com o tempo, abundante, de que subitamente dispunha; ele, que sempre foi escravo de uma correria enlouquecida atrás de tudo, de levantar dinheiro para as coisas, comprar mistura para a mãe, pagar conta, rodinho no semáforo, batida de carteiras, pinote na garupa de moto, cavalo doido, cachorro louco. Crack e fumo, para distrair e relaxar. E dessa vez tinha tempo, graças à gostosa da Irene, de vestidinho curto, que distraiu o porteiro com a conversa de uma patroa inexistente.

 Numa das salas havia uma longa mesa de madeira escura com cadeiras altas ao redor. Imaginou, numa imagem mental roubada de novela, uma família inteira ali, a comprida mesa da refeição, espinha dorsal da família que se reúne para jantar, empregados servindo, velhos e moços comungando, compartilhando carinho, amor, conversas e risos, coisas que ele não conhecia exatamente; bacanas bonitos, de plenos dentes, bem vestidos e brancos. Eles são sempre brancos. Lembrava do pai cada vez mais vagamente, a imagem vinha perdendo substância naquele abismo já de oito anos. As mãos grandes e grossas, de toque seco e áspero que ele ainda sentia segurando a sua, as unhas curtas sempre pretas, a pouca conversa e a face constantemente franzida, como se fosse um peso viver, trabalhar; mas um homem bondoso com a família, com os meninos. Rezavam sempre antes da janta, o pai com os dedos espessos, entrelaçados como raízes, pedindo a Deus saúde e orientação para ele e os irmãos.
Ao lado da mesa um móvel baixo e longo, cheio de portinholas, onde ele achou louças pintadas, motivos campestres e natalinos; toalhas de mesa bordadas, aparadores de palha e metal; três recipientes delicados, parecidos com lâmpadas de Aladim; duas grandes caixas de veludo azul contendo talheres corpulentos e brilhantes, guardados em posição de sentido como soldados. Sobre o móvel, estatuetas escuras de ferro, mulheres em danças congeladas, bailarinas de pernas e braços para o ar, o corpo um fio, narizes cheirando o céu, pescoços finíssimos. Em contraste a elas, um homem de chapéu e colete, barbudo e taludo, empunhando uma espingarda apoiada no chão, que fez lembrar seu pai. Pai de bacana não some, ele pensou — segurando o pai de ferro na mão —, só pai de pobre.


Entrou em cada um dos imensos dormitórios, dois deles com ante-salas e poltronas sobre braços de abajures. Armários embutidos do teto ao chão, uma cama alta, gigante, onde ele se atirou de costas como os saltadores das olimpíadas, e ficou por ali dois minutos, aberto como uma estrela, olhos fechados curtindo a maciez. Logo se levantou, movido pelo impulso da missão. Cavalo doido, cachorro louco.

Nas estantes, objetos diversos. A cara do velho na fotografia do porta-retratos; um velho que até ali nem face tinha para ele, bochecha a bochecha com duas crianças loiras e um casal. Livros com imagens de cidades, objetos de couro e madeira que ele desconhecia a utilidade. Em um dos quartos, uma porta se abriu para um quartinho menor. Prateleiras com sapatos, dezenas de pares, dois bancos, um espelho estranho no chão.

Decidiu iniciar pelos armários do quarto maior. Abriu as portas e, força do hábito, puxou as gavetas uma a uma para o chão. Eram muitas. Logo formou-se uma montoeira de lenha, e sabe-se lá quanto tempo passou, e derrubando prateleiras, pequenos móveis, tudo virado ao contrário. Nada das joias. Achou oitocentos paus num criado-mudo e um pequeno maço de notas de quinhentos, dinheiro gringo, dentro de um envelope colado com fita na traseira de uma gaveta.

Voltou à sala lembrando que nos filmes cofres ficam atrás de quadros. Olhou novamente os cavalos reluzentes, que com grande esforço voaram para o chão, pesados dentro da moldura maciça, rebentando de quina no assoalho de jatobá, a tela tombando lentamente como um páraquedista aterrissando na praia, deixando à mostra um grande retângulo da parede alva. Irritado, num repente de fúria do corpo, estilhaçou espelhos, tombou vasos e arrancou os outros quadros todos dos ganchos, aos gritos de ira e força, telas rasgadas se precipitando, trazendo à luz fantasmas brancos, teias de aranha subitamente reveladas depois de anos na escuridão.

Retornou determinado aos quartos, e agora mergulhou de corpo inteiro dentro dos armários, lançando tudo para fora. No quarto dos livros não havia paredes, só estantes e os espaços para a porta e a janela. Escadas corriam em trilhos para lá e para cá, como na farmácia do Alcy. Resfolegante, subiu e foi derrubando os livros aos blocos lá do alto, em largas braçadas, num impulso automático de vandalismo e escárnio. Às vezes, parava e folheava alguns; capas duras, lombadas de ouro, a maioria só com letras; letras, letras e mais letras. Não gostava de ler letras, preferia figuras. E as joias? A Dora talvez tenha só ouvido o galo cantar sem saber onde.

Na cozinha, abriu a geladeira e tomou leite e suco direto no bico. Os descartes se acumulando pelo chão. Sobre uma bancada, liquidificadores, centrífugas e uma torradeira. Surgiu uma fome. Achou pão de forma preto, cheiroso. Fez torradas. Na geladeira encontrou requeijão e geleia gringa, Melocotón, dizia o rótulo. Deve ser coisa fina, pensou, e passou abundantemente num bolo de passas, que comeu numa catarse brutal, escancarado, mascando com a boca aberta como um viking, o chão espelhado se imundiçando, e o que restou da geleia ele comeu às colheradas, depois enfiou o dedo dentro e chupou. Tinha tempo, mas a pressa crônica estava ali, presente, a perene ansiedade do crack, da pedra. De toda maneira, havia agora um sentimento de conquista nascendo, um poder alongado, quase atemporal, que fazia a pressa se esvair. Era tudo dele agora. Tudo aquilo a desbravar.

Deu um arroto, longo e satisfeito, abraçado a uma lata redonda, Butter Cookies, e foi andando, general em revista, comendo e andando, ganhando agora a área de serviço, esfarelando o chão de bolachas, mascando, olhando tudo, subitamente calmo, perscrutando de alto a baixo. Um inesperado gato amarelo o fez pular de susto, gordo de tanto pêlo, miou um claro protesto, arqueado, e uma pisada enérgica fez-lo bufar e zunir dali.

Subiu numa banqueta e abriu os armários. Fantasiou que acharia cervejas americanas, uísque, talvez vodka, mas não. Velho rico não bebe, só velho pobre, que nem o puto do avô.

Voltou ao banheiro. Cheiroso. Enorme. Gostoso como um quarto. Pia, bancada longa, bidê, banheira de louça em pés de ferro, tapetes peludos no chão, cadeira de madeira com assento de almofada, revistas pra ler, um armário no fundo com remédios e produtos de higiene, que logo voaram para os ares, aos montes, mercúrio cromo espatifado, álcool, algodão e remédios. Ele era agora o senhor de um novo mundo, convencia-se disso para acalmar a pressa; alguém que, com ou sem joias, domina, subjuga e espeta uma bandeira no território conquistado. O desejo irracional de destruir aparecia e ia, precisava de um Contini, um vinho, crack, qualquer coisa para aplacar a sensação desconfortável da fissura, e de repente queria de novo botar pra foder, arrasar, escarrar nas paredes, mijar no chão, a fúria colossal tomando conta, ignóbil, misturada com a  nova percepção da posse: era tudo seu. Se é seu se acalme!, gritou consigo mesmo, estranhando a própria voz, estapeando a cabeça várias vezes, então se sentou na cadeira, curvando a cerviz, as mãos na nuca.

Olhou ao redor. Banheira, chuveiro e tudo mais. Tudo tão bom e bonito. É assim que eles vivem, pensou, nesse bem-bom eterno, e a gente que mora na casa-do-caralho, que pega condução lotada e trabalha que nem filho da puta, nunca vai ter nada disso; a gente só existe mesmo é para servir esses cornos, limpar suas casas, abrir suas portas, atender suas mesas e engraxar seus sapatos.

Ele, que vivia numa pobreza franciscana, mas que não trabalhava exatamente, e que também não pegava ônibus, mas que tinha a mãe que sim, que trabalhava, que pegava ônibus, tudo por ele, pelos quatro filhos, e já tão envelhecida antes dos 50, curvada, desgostosa dos eclipses da vida, dos filhos no crime; e o pai que só se fodeu de tanto trabalhar, e que Deus nem ajudou e nem protegeu, apesar das rezas, e ainda deixou o velho sumir um sumiço inexplicável, num dia qualquer, que deve ter morrido numa cova rasa com as formigas comendo os olhos, como falou a mãe. Mas agora sim, sim, agora ele finalmente estava ali, senhor de tudo, senhor do reino da perpétua abundância.

Molhou a cara de novo e se olhou no espelho, sentia-se ferver novamente no louco tobogã das emoções. Arrancou a camiseta e lavou nuca, pescoço. Virou a torneira do chuveiro. A água desceu forte. Estava suado e fedido. Arrancou o resto da roupa e foi marchando em cima dos panos que iam caindo e fazendo poça ao redor dos seus pés, como um amassador de uvas, até virar um bolo, um degrau que ele pisou e avançou para a água. Largou o corpo ali, massagem poderosa nas costas e na cabeça careca, por longos minutos, o braço apoiado nos azulejos, a testa sobre ele, a fumaça gostosa do vapor subindo. Sentiu-se relaxar, expirou longamente. Na prateleira de vidro viu xampus, cremes e condicionadores, tudo lindo e cheiroso. Beleza até no banheiro. Derramou um xampu inteiro na cabeça, esfregou com as mãos até levantar espuma farta, que espalhou pelo corpo magro, pelos genitais, costas, pernas. Escorregou para o chão e sentiu a cachoeira poderosa levar tudo, levar a raiva e a febre. Olhos fechados, se esqueceu do tempo.

Fechou a torneira e puxou uma toalha da pilha na prateleira. Enorme, nunca vira tão grande, felpuda e macia. Afundou a cara no tecido e deixou o algodão capilar absorver sem esforço a água do corpo. Enrolou-se como uma criança, que um dia a mãe o enrolou assim. Voltou à pia. Na bancada uma profusão de perfumes e frascos. Levantou tampas e foi cheirando. Tudo cheiro de coisa de velho. Gostou de uma colônia gringa que entornou nos ombros e peito, secou com a toalha. Espremeu uma espinha e cutucou o dente de cima que doía; sentou-se no vaso, o assento macio e morno, cagou pensando em como a vida é boa para os ricos. Nunca mais sairia dali, estava decidido. Era ele o bacana agora. Barriga cheia e banho tomado, veio o sono. O tempo novamente se perdeu dele.

Achou um hobby branco atrás da porta e vestiu. Golas macias e uma faixa para amarrar na cintura, um brasão azul no peito e as letras J.C. bordadas. Saiu do banheiro e viu, no cantinho do corredor, um altar e a tênue luminosidade azulada de uma vela dentro de um copinho. Ao lado, uma Nossa Senhora de Fátima. Parou por um instante. Um lorde com as mãos nos bolsos. Contemplou a santa por algum tempo e depois fez um sinal da cruz respeitoso, que a Nossa Senhora é a protetora da mãe, mas ele mesmo nem se ligava em santo. Chamaria a Jéssica e se internariam lá, isso sim, poderia ligar e ela viria. Um SPA. Com a grana que tinha chamariam comida de viagem por um ano. Se achasse as joias que a Dora falou, garantiriam uma vida toda ali, na mordomia. Poderiam se atirar em uma das camonas na hora em que quisessem e se acabariam de tanto trepar e dormir. Colocaria umas roupas do velho e sairia do apê de cabeça erguida, na maior, a hora que quisesse, o porteiro cumprimentando “Boa tarde, doutor!”.

Voltou doutor para a sala.

O velho estava estendido no assoalho junto à porta. A barriga para cima. Espanou com uma pernada um quadro do caminho e se deitou no amplo sofá. Ficou dali observando a tez leitosa, a boca entreaberta, oca, e o furo escuro na lateral do pescoço enrugado. O gato gordo, quieto, ao lado, velando o velho. A noite caíra quase que totalmente. A sala estava escura. O tempo parara no apartamento, subitamente, deixando um delicado silêncio que ele não conhecia em seu mundo de barulho. Apenas o som de um carro passando longe, lá numa rua distante, civilizada, rica, de árvores, sombras e folhas crocantes no chão, igual de filme. Então imaginou uma bacana bonita, cabelos compridos lisos, lisos e negros, roupa de ginástica, toda dondoca, passeando com o cachorro naquele cenário.

Com o corpo afundado no sofá macio, percebia agora, óleo sob o carro, uma sombra negra, viscosa no chão junto ao velho. Fixou os olhos e o velho pareceu se mover. Parou de respirar e se ergueu nos cotovelos, o coração pulando. Impressão? Impressão. Precisava fumar uma pedra, beber, era isso. Tremia um pouco, talvez fosse o frio. Apertou-se no hobby e, carente, chafurdou a cara no sofá. Quando sair vou cuidar pra não melar o pisante naquela poça, pensou, e depois se imaginou arrastando o velho pelo braço para abrir caminho, mas achou melhor não. Não gostava de mexer em defunto, ainda mais defunto vazando.

Ficar quanto tempo ainda por ali? Para sempre! Poderia chegar alguém, mas o velho era solitário, segundo a Dora, a mesma Dora que avisou de joias e cofres inexistentes. À luz do dia seguinte, bandeirante, desbravaria recônditos ainda inexplorados daquele novo mundo, mas antes sairia para buscar pedra e bebida, que dinheiro agora não faltava. Distendeu as fibras endurecidas do corpo numa espreguiçada total, bocejou. Sono, precisava dormir um pouco.

Achou que cochilou. Agora, de algum lugar vinha uma brevíssima claridade. Seus olhos perceberam e se agarraram ao súbito contorno de um homem surgido ali, bruto, um cenho baixo, enraizado como uma árvore ao lado do sofá.

O homem falava de Deus e de Justiça, os olhos despejados sobre ele, as mãos de pedra enormes ao longo do corpo. Ignorou-o. Ele que não tivesse sumido.

Sentia-se apartado de tudo, de qualquer sentimento, com uma vida nova que recomeçava. Então se virou no sofá entregando-se à redenção do conforto inominável,  o abandono do guerreiro exaurido, convicto de sua imortalidade, que ignora os fracos, os vencidos, o perigo e a lei. E que adormece, confiante num porvir em que tudo se pode conquistar.
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Cesar Cruz
Set. 2010
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10 comentários:

Cacá disse...

Muito bom o conto, César. Meu abraço. paz e bem.

Guilherme Baniz disse...

Uma poderosa avalanche de imagens e de ação! Vi e vivi cada detalhe, cada reflexão de uma jovem mente já tão confusa e egocêntrica. De repente o velho morto no chão foi surpreendente. Um conto surpreende César! PArabéns!

Abços - Guilherme

M. Sueli Gallacci disse...

Cesar, fiquei verdadeiramente impressionada com esse conto. É uma triste realidade que vivemos no nosso dia a dia. E que de tanto vivenciarmos esses fatos, já não nos causa espanto.

Mas, lendo assim, nessa narrativa rica em detalhes, tão bem escrita, senti pesar pelos nossos jovens. Ainda bem que existem escritores como vc que não nos deixa cair em inércia.

Parabéns!

Bjo Gde.

Anônimo disse...

Amigo, espetacular, muito bem elaborado, a começar pelo título, muito bom mesmo, parece até mesmo estar em uma nova fase e até me arriscaria dizer, mais madura.

aliás, nós que vivemos em uma probreza franciscana, da onde tirou essas marcas e produtos? ... rs

abcs
xara - ipiranga.

Mário Xara disse...

Nossa cara, ficou animal sua apresentação, seu autoperfil novo. Tá precisando de ajuda? rs... não sou terapeuta, mas por um AMIGO, até nos tornamos. Eu e minha mãe já lemos o seu livro, eu sou suspeito em comentá-lo, pois nossa afinidade parece chegar perto dos 100%, gostei muito, Blackout foi animal, muito bom, alguns contos já conhecia e reli com prazer e alegria, estava até achando estranho a demora para postar na Net, já ía até lhe cobrar, pois ficarmos sem nos deleitar com sua maestria nas letras, você nos deixou em abstinência.

Minha mãe comentou que vc escreve igual a um cara lá, que irei perguntar o nome e lhe falar, até indicou o livro dele para ti. Ela lê muito, então manja. Vou escrever algo pra vc, pois faz tempo que não escrevo nada, para aplacar este teu sofrimento insofreável a inspiração me veio para tanto...rs.

Desencana César, bola pra frente, pode acreditar que tem muita gente que le e não comenta nada, mas fica a espreita. abraços - aguarde - xara.

Dalinha Catunda disse...

Olá César,
Muito bom seu conto minuciosamente detalhado. Um parágrafo convidando ao próximo.
Você é um ótimo escritor e como leitor é dono pespicácia que poucos possuem.
Um abraço,
Dalinha

Therezinha Eunice disse...

oi

sobrinho, adorei!

beijos
tia

Pedro Luso de Carvalho disse...

“Território Conquistado” é uma conto especial, Cesar. Você conseguiu com maestria jogar com dois mundos opostos, o dos ricos e o dos pobres, deixando transparecer com clareza os sentimentos que oprimem os desafortunados, com as suas dores por nada possuírem, de um lado, e o ódio a quem detém o poder pelos bens que possuem, de outro lado.

No conto, a morte do velho foi o que menos pesou, quer pela inconseqüência do ato, quer pelo que dele poderia resultar; o mais importante foi justamente essa forma de mostrar os dois mundos, e a revolta resultante justamente da injustiça social.

Isso, sem falar da excelente forma descritiva do conto, capaz de colocar o leitor tanto no lugar do pobre - que se deslumbra com o apartamento e com tudo o que o veste, bem como com o que representa ser rico -, como no lugar o velho e da bela vida que desfrutava.

A morte do velho pôs em confronto toda a desigualdade social, cuja opressão só pode ser sentida por quem nada possui, e o ato de matar, nessas circunstâncias, aparece um pouco suavizado, quase que justificado por uma espécie de vingança por quem é pária social. Parabéns, Cesar.

Grande abraço,
Pedro.

DEVA disse...

Difícil dizer algo depois do comentário acima. Assino embaixo. Genial seu “Território conquistado”. Um de seus contos que mais gostei até agora (ta no top 10). Fico imaginando o que mais vem por aí...
Interessante como em cada detalhe, em cada nuance da personalidade do personagem, nos marca na pele a sua revolta. Não me coloquei no lugar do ladrão na casa a conquistar, não me identifiquei com ele, mas pude sentir vivamente o caldeirão de emoções no qual ele estava mergulhado. A confusão, a imagem do pai, o medo, o ódio, o sentimento de posse, de certo merecimento por tudo aquilo que nunca teve. Intenso. De arrepiar.

Gabi Alkmin disse...

Oi!

Muito obrigada pelo comentário no meu blog! Gostei da sua sugestão! Já estava querendo tentar outros pontos de vista, mas confesso que fico meio insegura - o universo feminino e jovem é muito mais familiar para mim, né? Mas vou pensar em alguma coisa para um próximo post! =)

Vim aqui ler o seu conto que você me indicou! Muito bom! Ficou bastante forte o contraste entre os dois mundo! Fiquei surpreendida com a referência ao corpo do velho - foi inesperado para mim. Bom trabalho!

Beijo!