Ouro de Tolo


o final do filme O Advogado do Diabo, Al Pacino, que interpreta o próprio Diabo, diante da derradeira fraqueza revelada pelo seu aprendiz, personagem de Keanu Reeves, diz "Ah, a vaidade, meu pecado predileto!". Acho que é isso mesmo. Se o Diabo existir, deve adorar a vaidade, que leva o Homem às maiores atrocidades em nome de qualquer miserável réstia de luz que venha incidir sobre ele, tirando-o da escuridão do anonimato.

Pode reparar: boa parte dos males do mundo, em especial o mal que um homem faz ao outro homem, é fruto da exacerbação da vaidade individual. Talvez seja por isso também que muitos ensinamentos religiosos (no espiritismo e no cristianismo eu garanto que há) se alicercem na exortação: "Esvazie-se o homem de si mesmo!".

Na Idade Média, os alquimistas buscavam a Pedra Filosofal, cuja posse possibilitaria transformar metais comuns em ouro, com um simples toque. Daí a expressão "ouro de tolo", que se referia às promessa falsas dos alquimistas impostores, expressão que foi usada por Raul Seixas para batizar um de seus sucessos da década de 1970, que tratava justamente das vaidades vãs da classe média em franca ascendência, alavancada pelo Milagre Econômico promovido pela ditadura militar.

Todo esse prelúdio é para justificar – ou caracterizar – minha fútil vaidade. E agora que já comecei, vou adiante. 

Dia 9 último – meu aniversário –, que caiu num domingo, a Michele e a Vanessa me deram um presente especial: duas horas completas, inteiras e plenas numa livraria à minha escolha, com direito a sair de lá com dois livros embaixo do sovaco.

Escolhi a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, construída no espaço que abrigou o antigo cine Astor – de saudosa recordação para mim. Essa unidade da rede, onde eu havia ido uma só vez, é oficialmente a maior livraria do Brasil, com 4300m2 divididos em 3 enormes pisos.

Pois bem. Chegamos lá naquela tarde e, como prometido ao aniversariante, as duas desapareceram em direção à área infantil e me deixaram só, absolutamente só, a ver, fuçar e mexer à vontade nas prateleiras.

E lá fui eu!

As fotos abaixo, algumas que roubei do site da Cultura e outras feitas por mim, revelarão a surpresa que tive e o motivo desta postagem – em especial o  porquê do título.

Olha o tamanho da loja!



Quantos livros haverá aí?



Em primeiro plano há um cara em pé a folhear um livro.
Atrás dele, à esquerda, há uma estante, vê?
Vamos nos aproximar mais...



Pronto, um pouco mais perto agora.
Trata-se da estante da Literatura Nacional.
Mudemos um pouco o ângulo...



Opa!
O que haverá ali na prateleira de baixo, na letra C?



Oh, eu não acredito! Chegue mais perto, por favor!



Clique para ampliar
(Vender que é bom, não vende.
Mas que ele está lá, na maior livraria do Brasil, está!)



E, claro, eu não poderia me privar
do vão prazer de passar o código de
barras no leitor...




Ah, a vaidade...! 


Cesar Cruz
Setembro de 2012



9 comentários:

Henrique Lanes disse...


César

Estou com você. Melhor mostrar do que ocultar. Lembre-se da frase do pensador francês Jean de La Bruyer:
"O mais alto grau da vaidade de um homem é sua falsa modéstia".

Parabéns pelo livro!

H.L.

Heitor Torres - Cambuci disse...

Bom dia Cesar!!

Meus parabéns pela localização de mais dois de seus livros.

Agora fiquei curioso para saber se seus filhotes ainda se encontram lá. Será?

Você teve a curiosidade de perguntar quantos livros ainda havia no estoque?

No dia 12/9 (eu, seu fã, perguntei numa loja da rede!) eram 11 e tenho certeza que de lá para cá as vendas aumentaram. E para onde poderiam terem ido?

Seria bom que em seu próximo livro, seja colocado um chip (será que é assim que se escreve?) para que desse modo vc continue a saber o paradeiro de seus queridos rebentos.


Um forte abraço do amigo,

Heitor


OBS: Meu filho diz que apenas pessoas mais velhas fazem uso dessa palavra, e da seguinte maneira:

VAI.......IDADE ,

e por motivos óbvios! rsrsrs

CESAR CRUZ disse...

Meu caro Heitor

Você é mesmo um otimista. Não tenho dúvidas de que eles estarão lá, todos na prateleira, infelizmente.

Veja você que coisa: esses dias, na Livraria da Vila do shopping, perguntei do meu livro e descobri que alguns foram vendidos! Aí perguntei da reposição. Não souberam dizer e me sugeriram ver com a editora. Falei com minha editora e ela me disse: "só podemos repor se eles pedirem". É ou não é um inferno isso?

abço!
Cesar

Mariana Marchioni disse...

Cesar

Eu não sabia do seu aniversário, então vai os parabéns atrasados e parabéns por estar na maior livraria do Brasil!!! parabéns duplooooo!!!

Adoro a livraria Cultura! Eu ando, ando, ando, tomo café e saio de lá com uma revista, haha!!

bjs
Mari

Anônimo disse...

Sem duvida,um livro pra alquimista nenhum botar defeito...
Parabéns!
Zappi

Anônimo disse...

Caramba, Cesinha!

Tô em dívida total com você, mano... Com essa dica que inclui preço e tudo o mais, entrei no site da cultura, achei o bicho e comprei logo dois. Um pra mim e um pro aniversário da minha cunhada, agora em nov. Agora vc trata de me ligar pra gente marcar de vc ir na empresa tomar um café e autografar os livros. No site promete que 5 dias chega. Furei com vc no coquetetas de lançamento, mas compensei, diz aí!?

Espero tua ligação. Parabéns duplo!!!

Abço
Vitório

Anônimo disse...

Não vale, criou uma baita expectativa pra no fim manifestar uma vaidade permitida, pois bem, vai lá e refaça seu perfil, corrige-o, não são 7 bilhões de não leitores, agora são 7 bilhões menos meia dúzia.

abraços
xara - ipiranga - sp/sp

Edu Toledo disse...

Cesar,
Vaidade mais que justa! Se é que tal contradição é permitida.Acho que qualquer um faria isso; eu teria toda a curiosidade de procurar.
Parabéns, e também parabéns atrasados por seu aniversário.
Abraços,
Edu Toledo

Ricardo Gondim disse...

Igual a você, sou alquimista. Procuro o ouro de tolo. Também procurei livros meus em livrarias. Acho que no dia em que estiverem empilhados na porta da loja tanto você como eu desmaiamos. Porque vaidade deixa qualquer um tonto.

Beijo,
Ricardo